Após deixar o país, Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito”, apaga publicação e passa a se chamar de “líder do Brasil”

Por Redação em 28/10/2026 18:20 - Atualizado em 28/10/2026 18:22
POLÍTICA
Após deixar o país, Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito”, apaga publicação e passa a se chamar de “líder do Brasil”
Wagner Meier/Getty Images

O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta nesta quarta-feira (28) na qual afirma não reconhecer o resultado do segundo turno da eleição presidencial, levanta suspeitas de fraude eleitoral e se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Após a repercussão, ele publicou uma nova versão do documento, substituindo as expressões “presidente eleito” e “verdadeiro presidente do Brasil” por “líder” e “líder do Brasil”.

Na primeira versão da carta, divulgada por meio de imagens nas redes sociais, Flávio afirmou que os responsáveis pelo resultado eleitoral teriam cometido crimes. No entanto, o senador não apresentou provas que sustentassem as acusações. O resultado das eleições no Brasil foi proclamado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, indicado ao Supremo na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro com a participação do próprio senador Flávio Bolsonaro. 

As declarações contrariam o resultado oficial confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial.

Flávio critica o Judiciário e contesta votação

Na carta, o senador afirma estar nos Estados Unidos, agradece a líderes internacionais, entre eles o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente argentino Javier Milei, da Argentina, e critica decisões do Poder Judiciário brasileiro. Flávio também alega que o país vive um “regime de exceção” e acusa autoridades de promoverem perseguição política contra sua família. Ele nega que sua saída do Brasil represente uma fuga e compara sua situação à de figuras históricas que viveram no exílio.

O parlamentar também questiona a prorrogação do horário de votação no segundo turno e sustenta que teria ocorrido uma suposta “impossibilidade matemática” no resultado eleitoral.

A extensão do horário de votação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedidos de prorrogação apresentados pelas campanhas de Lula e do próprio Flávio Bolsonaro. A medida levou em consideração problemas no transporte público de eleitores e condições climáticas.

Segundo informações divulgadas após a votação, menos de 35 mil votos foram registrados nas urnas entre as 17h e as 19h daquele domingo. No resultado nacional, Lula terminou a disputa com uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro.

Senador defende cassação da chapa eleita

Na primeira versão da carta, Flávio Bolsonaro defendeu a cassação da chapa vencedora, formada por Lula e Geraldo Alckmin, e afirmou que pretende liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos.

“Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania”, escreveu o senador na publicação original.

Na versão divulgada posteriormente, as expressões que o apresentavam como presidente eleito foram substituídas por referências à condição de líder político.

TSE confirmou resultado das eleições

O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial. A Corte também informou que o processo eleitoral transcorreu dentro das regras estabelecidas. As acusações apresentadas por Flávio Bolsonaro não vieram acompanhadas, na carta divulgada, de provas que demonstrassem fraude capaz de comprometer o resultado das urnas.


Comentários (0)