Parecer do Naturatins aponta que UHE Monte Santo lançará esgoto no Rio Sono e prevê desvio do curso durante as obras

Por Dermival Pereira em 26/03/2026 08:14 - Atualizado em 26/03/2026 08:23
ESTADO/TOCANTINS
Parecer do Naturatins aponta que UHE Monte Santo lançará esgoto no Rio Sono e prevê desvio do curso durante as obras
Foto: Divulgação

Um parecer técnico do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), ao qual o D12news teve acesso, revela que a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) Monte Santo, prevista para o Rio Sono, em Novo Acordo, incluirá a instalação de uma estação de tratamento para efluentes oleosos da oficina mecânica e para os dejetos de mais de 3 mil trabalhadores. Após o tratamento, esses resíduos serão lançados diretamente no Rio Sono. O documento também aponta que o curso do rio será desviado durante uma das etapas da obra.

O projeto da obra teve sua Licença Prévia (LP) renovada recentemente, decisão questionada por moradores contrários ao empreendimento devido à defasagem dos estudos, que já foram realizados há mais de 10 anos.

De acordo com o parecer, na fase inicial da construção, o Rio Sono permanecerá em seu leito natural enquanto serão realizadas escavações e o preparo das fundações. No entanto, na segunda etapa, está previsto o desvio completo do curso do rio por meio da construção de ensecadeiras a montante e a jusante do barramento. Com isso, o fluxo da água será direcionado para um canal de aproximação até o vertedouro, localizado na margem direita.

A mudança no curso natural do rio é considerada um dos principais impactos ambientais da obra, já que altera diretamente o regime hídrico, afeta habitats aquáticos e pode comprometer a biodiversidade local. Além disso, o desvio interfere na dinâmica de sedimentos e na qualidade da água ao longo do trecho impactado.

Outro ponto destacado no parecer é o tratamento dos efluentes líquidos gerados durante a construção. Os resíduos oleosos provenientes da oficina mecânica passarão por um sistema separador de água e óleo. Já os efluentes sanitários, oriundos da higiene dos trabalhadores e do refeitório, serão encaminhados para uma estação de tratamento compacta. Mesmo após o tratamento, o material será descartado no Rio Sono, seguindo os parâmetros estabelecidos pela Resolução nº 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

O lançamento desses efluentes no rio, ainda que dentro dos padrões legais, levanta preocupações quanto ao acúmulo de poluentes ao longo do tempo, especialmente considerando o volume gerado por um contingente elevado de trabalhadores. Especialistas apontam que esse tipo de impacto pode afetar a fauna aquática e comprometer o uso da água por comunidades ribeirinhas.

O projeto da UHE Monte Santo prevê geração de energia a fio d’água, ou seja, sem grande capacidade de armazenamento para regularização do fluxo. Ainda assim, será formado um reservatório com área aproximada de 6 km², o que também implica na supressão de vegetação e possível deslocamento de fauna.

O barramento terá cerca de 530 metros de comprimento e altura máxima de até 27 metros. O vertedouro contará com quatro vãos e será responsável pelo controle da vazão do rio. Já a casa de força será instalada na margem direita e abrigará dois grupos hidrogeradores.

O parecer também menciona a implantação de um canteiro de obras nas proximidades da barragem, estrutura que concentrará atividades como montagem eletromecânica, construção civil e apoio operacional — fatores que ampliam a pressão ambiental na região durante o período de obras.

Por fim, o documento informa que os resíduos sólidos gerados serão classificados, acondicionados e destinados conforme sua tipologia. Ainda assim, o conjunto das intervenções previstas acende alerta para os impactos ambientais acumulados no Rio Sono, especialmente diante das alterações no curso natural, lançamento de efluentes e pressão sobre os ecossistemas locais.

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