Eleições 2026: começou a Copa do Mundo da política

Por Dermival Pereira em 11/09/2026 10:24 - Atualizado em 11/09/2026 10:30
COLUNAS
Eleições 2026: começou a Copa do Mundo da política
Foto: Divulgação

Atenção, torcedor brasileiro: prepare a pipoca, escolha seu time e esconda o controle remoto. Começou a Copa do Mundo da política brasileira. Só que, desta vez, não teremos Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Lamine Yamal ou Vini Jr. No lugar deles, entram em campo candidatos, partidos, pesquisas, promessas, alianças e o velho político que sumiu nos últimos quatro anos e agora reaparece distribuindo abraços como se fosse parente próximo.

Tem candidato de direita, esquerda, centro, centro-direita, centro-esquerda, de lado, de costas e até aqueles que parecem mudar de posição conforme sopra o vento político. O primeiro turno será em 4 de outubro de 2026 e, se houver segundo turno, a disputa retorna às urnas no dia 25 de outubro. Lamentável!

Até lá, teremos pesquisas antes do café da manhã, depois do almoço, antes da novela e, provavelmente, uma pesquisa para saber quem ainda acredita nas pesquisas. Teremos debates, caminhadas, carreatas, promessas e candidatos abraçando crianças, idosos, comerciantes, vendedores de pastel e, se deixar, até poste.

Comecei minha carreira no jornalismo cobrindo política, muito antes de concluir minha graduação, em 2008. Durante anos acompanhei de perto candidatos, partidos, campanhas e articulações. Mas, com o tempo, algumas decepções com pessoas, projetos e experiências fizeram surgir em mim certo ranço da classe política.

Nada contra a política. Ela é necessária. O problema é quando a disputa passa a parecer mais uma torcida organizada do que uma competição de ideias para melhorar a vida da população. De vez em quando, ainda publico informações eleitorais, principalmente para ajudar o cidadão a conhecer candidatos, opções e datas importantes. O que não pretendo é transformar outubro em uma final de Copa do Mundo.

E isso vale também para parte da imprensa. Durante a eleição, alguns veículos parecem esquecer que o Brasil continua enfrentando problemas de saúde, educação, segurança, infraestrutura e tantos outros. Se um candidato sentou cinco cadeiras distante de outro, vira notícia. Se não cumprimentou alguém, temos manchete. Se deixou de seguir uma pessoa nas redes sociais, quase temos uma crise institucional.

Enquanto isso, aparecem gasolina, contratos, promessas, dinheiro para adesivar carros, abraços e o tradicional “deixa comigo”. E o eleitor deixa. Às vezes, deixa até demais.
Só existe uma diferença importante entre Copa do Mundo e eleição: na Copa, quando o jogo termina, a gente vai para casa. Na eleição, a conta fica. E pode durar quatro anos. Por isso, talvez seja melhor torcer menos, pensar mais e lembrar que, no fim das contas, quem paga a conta é sempre o cidadão.

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