Após mortes de égua em Gurupi, mula em Novo Acordo e acidente fatal em Guaraí, MPTO recomenda medidas rígidas para cavalgada
O Ministério Público do Tocantins (MPTO) expediu recomendação para que organizadores e gestores públicos adotem medidas preventivas contra impactos ambientais, perturbação do sossego, desordem urbana e possíveis maus-tratos a animais durante a Cavalgada ExpoBrasil, programada para o próximo dia 31 de maio, em Paraíso do Tocantins.
A recomendação ocorre em meio à repercussão de casos recentes registrados em cavalgadas no Tocantins, incluindo a morte de uma égua durante a Expo Gurupi, em 2024, a morte de uma mula após um acidente em Novo Acordo, na semana passada, e o acidente que resultou na morte de uma mulher durante uma cavalgada em Guaraí, em 2023. Os episódios reacenderam o debate sobre segurança, fiscalização, acompanhamento veterinário e controle do uso de fogos e sons automotivos em eventos agropecuários.
Segundo o MPTO, a iniciativa em Paraíso do Tocantins decorre de apurações que apontaram risco de violação à zona de silêncio no entorno do Hospital do Coração e de unidades escolares, além de preocupações relacionadas à segurança pública e à saúde dos equinos expostos a ruídos extremos provocados por “paredões” de som.
Providências sugeridas
Entre as medidas recomendadas, o Ministério Público orienta a transferência de todo o fluxo de som automotivo e dos chamados “paredões” exclusivamente para o Estádio Antônio Damião, localizado no Setor Pouso Alegre, preservando o raio de 500 metros das unidades de saúde.
O documento também recomenda estratégias integradas para garantir o encerramento adequado das festividades externas, além da intensificação da fiscalização para impedir o uso de recipientes de vidro durante o circuito da cavalgada.
Outra medida considerada prioritária pelo MPTO é a adoção de fiscalização rigorosa para impedir maus-tratos e o uso de equipamentos que provoquem sofrimento aos animais. A recomendação também prevê a implementação de ações preventivas voltadas à redução da desordem urbana e dos impactos ambientais.
Reunião interinstitucional
A recomendação foi entregue oficialmente durante reunião conduzida pela promotora de Justiça Patrícia Silva Delfino Bontempo. Participaram do encontro o comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar (8º BPM), tenente-coronel Robson Santos, policiais militares da unidade, o presidente do Sindicato Rural de Paraíso do Tocantins, Abel Gutenberg, a procuradora do município, Andressa Coelho, o secretário municipal de Agricultura e Pecuária, Wedson Araújo, o diretor de Trânsito, Transporte e Mobilidade Urbana, Francisco José Ferreira Lima, além de outros representantes do Poder Executivo municipal.
Histórico dos casos
A morte de uma mula registrada no último sábado, 23, durante uma cavalgada em Novo Acordo, levantou questionamentos sobre a estrutura e o acompanhamento técnico do evento. O evento, conforme vídeos divulgados nas redes sociais, também teve brigas e desentendimentos entre os participantes.
Segundo relatos, o animal estava amarrado a uma pilastra no campo de futebol da cidade quando houve uma queima de fogos de artifício nas proximidades. Assustados com o barulho, os animais se agitaram. Na tentativa de se soltar, a mula puxou a estrutura, que acabou cedendo e atingindo o próprio animal de forma fatal.
Testemunhas afirmaram que houve demora no atendimento veterinário e que o profissional teria chegado cerca de 40 minutos após o acidente, quando o animal já estava sem vida.
Expo Gurupi
Em abril de 2024, uma égua morreu após participar da cavalgada de abertura da 49ª Expo Gurupi. O animal passou mal e caiu em via pública logo após o encerramento do evento.
O caso teve ampla repercussão e motivou investigação do MPTO, que solicitou informações a órgãos de fiscalização para apurar possíveis falhas no acompanhamento e na proteção aos animais.
Mulher morreu após queda de cavalo em Guaraí
Outro caso de grande repercussão ocorreu em junho de 2023, durante a cavalgada da 32ª Expoguaraí, em Guaraí. Elanny Pimenta, de 44 anos, moradora de Colmeia, ficou gravemente ferida após cair de um cavalo durante o evento. Ela representava o município em uma das comitivas da cavalgada.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram o momento em que o animal se assustou e disparou. Elanny perdeu o equilíbrio e caiu no asfalto. Ela chegou a ser internada e intubada no Hospital Regional de Araguaína, mas morreu dias depois em decorrência dos ferimentos.