Nos últimos três anos, quase 50 mil famílias deixaram o Bolsa Família no Tocantins após aumento da renda e entrada no mercado de trabalho

Por Dermival Pereira em 08/06/2026 09:41 - Atualizado em 08/06/2026 11:47
ESTADO/TOCANTINS
Nos últimos três anos, quase 50 mil famílias deixaram o Bolsa Família no Tocantins após aumento da renda e entrada no mercado de trabalho
Foto: Agencia Brasil/divulgação

Dados do divulgados pelo Governo Federal mostram que mais de 49,9 mil famílias tocantinenses deixaram o Programa Bolsa Família entre março de 2023, quando o benefício foi retomado pelo Governo Federal, e maio de 2026. Os desligamentos ocorreram porque essas famílias aumentaram a renda mensal, seja por meio da conquista de empregos com carteira assinada ou pelo desenvolvimento de atividades empreendedoras, superando os critérios de permanência no programa.

Somente em maio deste ano, 1.646 famílias do Tocantins deixaram de receber o benefício após alcançarem renda superior aos limites estabelecidos pelo programa social.
Araguaína lidera o ranking estadual de desligamentos registrados em maio, com 172 famílias deixando o Bolsa Família. Em seguida aparecem Palmas, com 166 desligamentos, Porto Nacional (73), Gurupi (60) e Araguatins (52).

Completam a lista dos dez municípios tocantinenses com maior número de famílias que superaram a situação de vulnerabilidade econômica Tocantinópolis (45), Paraíso do Tocantins (38), Colinas do Tocantins (35), Taguatinga (30) e Dianópolis (27).

Mais de 5 milhões de famílias deixaram o programa no país

Em nível nacional, mais de 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família entre março de 2023 e maio de 2026 após ampliarem sua renda familiar. Os maiores números foram
registrados em São Paulo, com 745,6 mil famílias desligadas, seguido pelo Distrito Federal (546 mil), Bahia (487,6 mil), Minas Gerais (430,2 mil) e Rio de Janeiro (393,7 mil).

Entre as capitais brasileiras, São Paulo registrou o maior volume de desligamentos em maio deste ano, com 7.312 famílias saindo do programa. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (4.387), Fortaleza (3.790), Salvador (3.095) e Brasília (1.896).

Regra de Proteção garante transição gradual

Criada no novo desenho do Bolsa Família, a chamada Regra de Proteção permite que famílias que aumentam a renda continuem recebendo parte do benefício durante um período de transição. Mesmo após ultrapassarem o limite de R$ 218 por pessoa da família, elas podem permanecer no programa recebendo 50% do valor do benefício por até 12 meses, desde que a renda familiar per capita não ultrapasse R$ 706.

Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, os números demonstram que o programa tem contribuído para a inclusão produtiva dos beneficiários. “O novo modelo estimula o emprego. Só de 2023 para cá, 5,1 milhões de famílias saíram da pobreza. Saíram do Bolsa Família porque passaram a ter um emprego ou começaram a empreender”, afirmou.

Mercado de trabalho impulsiona saída do benefício

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), cruzados com informações do Cadastro Único, mostram que 80% das vagas de emprego formal criadas no primeiro trimestre de 2026 foram ocupadas por pessoas inscritas no CadÚnico.

Para Wellington Dias, os indicadores reforçam a participação dos beneficiários do programa no mercado de trabalho formal. “Os números confirmam as estatísticas relacionadas à presença dos beneficiários no mercado formal e refutam afirmações infundadas de que as famílias não querem arranjar emprego”, declarou.

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV Social) aponta ainda que a renda do trabalho entre a população mais pobre cresceu 10,7% em 2025, índice superior à média nacional. Segundo o levantamento, o resultado foi impulsionado pela geração de empregos formais e pela Regra de Proteção do Bolsa Família. (Fonte: Secom).

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