Passaporte de Eliza Samudio, morta em crime que envolve o ex-goleiro Bruno, é encontrado em Portugal
Quinze anos após o assassinato de Eliza Samudio, um dos crimes mais emblemáticos da história recente do Brasil, uma nova descoberta voltou a colocar o caso em evidência. As informações foram divulgadas pelo Portal Terra.
De acordo com a publicação, um passaporte antigo de Eliza Samudio foi encontrado no fim de 2025 em um apartamento alugado em Portugal. O documento foi entregue nesta segunda-feira (5) ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que confirmou a autenticidade e informou ter comunicado oficialmente o Itamaraty, em Brasília.
O passaporte foi localizado em uma estante com livros em um apartamento compartilhado. O homem que encontrou o documento, identificado apenas como José, vive no local com a esposa, a filha e outros inquilinos. Após retornar de um período fora a trabalho, ele afirmou ter se aproximado da estante por curiosidade e se deparado com o passaporte de Eliza Samudio.
Segundo apuração junto a fontes oficiais, o documento é verdadeiro, único e não possui segunda via emitida. O passaporte foi expedido em 9 de maio de 2006, com validade até 8 de maio de 2011, e está em bom estado de conservação. As 32 páginas estão intactas, sem rasgos ou avarias. Há apenas um carimbo de entrada em Portugal, datado de 5 de maio de 2007, sem qualquer registro de saída ou de nova entrada em outro país.
O achado chama atenção porque há registros, vídeos e provas de que Eliza esteve no Brasil após essa data. O crime ocorreu integralmente em território brasileiro, e o corpo da vítima nunca foi encontrado.
Em entrevistas concedidas à época em que o caso veio à tona, Eliza relatou que havia viajado para Portugal e Alemanha e afirmou ter se envolvido com o jogador Cristiano Ronaldo, com quem, segundo ela, ainda trocava mensagens por meio do aplicativo MSG, popular naquele período. Ainda assim, o paradeiro do passaporte e a ausência de registros migratórios posteriores levantam novas dúvidas sobre o caso.
José afirmou que prefere não identificar a proprietária do apartamento nem fazer acusações. “Prefiro deixar para as autoridades investigarem para não ser injusto com ninguém. Não posso afirmar como esse passaporte foi parar ali”, declarou. Em outro momento, resumiu a perplexidade em torno do achado ao questionar: “Quem entraria no país com o passaporte de uma pessoa que está morta?”.
Ele também demonstrou preocupação com o impacto da notícia para a família de Eliza, especialmente a mãe, Sonia Moura, e o filho, Bruninho.
Apesar de quatro pessoas — Luiz Henrique Romão (Macarrão), Marcos Aparecido dos Santos (Bola), Jorge Luiz Rosa e o ex-goleiro Bruno Fernandes — terem confessado participação, conhecimento ou presença no sequestro e na morte da jovem, José ponderou sobre teorias que ainda circulam. “Eu não teria coragem de entrar em outro país com o passaporte de alguém que morreu. A não ser que a pessoa esteja envolvida no crime”, afirmou.
As autoridades brasileiras e portuguesas ainda não informaram se o caso será reaberto a partir da nova descoberta.