Policiais militares acusados de execução em Araguaçu são denunciados pelo MPTO

Por Redação em 16/04/2026 09:55 - Atualizado em 16/04/2026 09:58
ESTADO/TOCANTINS
Policiais militares acusados de execução em Araguaçu são denunciados pelo MPTO
Foto: Divulgação

Dois policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO) pela morte de um homem ocorrida em setembro de 2025, em Araguaçu, no sul do estado. O caso, considerado de extrema gravidade, gerou forte repercussão social na região. O órgão ministerial requer que os acusados sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri. Ambos seguem presos no 4º Batalhão da PM.

De acordo com a denúncia, o crime teria sido premeditado, com monitoramento prévio da vítima, perseguição e execução em via pública. O homicídio ocorreu durante a madrugada, na rodovia TO-181, no trecho entre os municípios de Sandolândia e Araguaçu.

Segundo os promotores de Justiça Jorge José Maria Neto, Célio Henrique Souza, Rodrigo de Souza, Matheus Eurico Borges e Rafael Alamy, chama atenção o fato de a vítima ter procurado o Ministério Público anteriormente para relatar supostos abusos policiais, incluindo perseguições e ameaças. A iniciativa, que representa o exercício de um direito constitucional, teria sido interpretada pelos denunciados como uma ameaça.

Ainda conforme a investigação, os policiais passaram a monitorar a vítima durante um evento festivo em Sandolândia. Horas depois, ao deixar o local em uma motocicleta, o homem teria sido seguido e surpreendido em um trecho isolado da rodovia. Foram efetuados oito disparos de arma de fogo. A vítima morreu ainda no local, após ser atingida por três tiros nas costas, braço e perna.

Uso de arma pública

Outro ponto destacado pelo MPTO é o uso de armamento oficial no crime. Conforme a denúncia, uma das armas utilizadas pertence ao Estado e deveria ser empregada na proteção da sociedade. Para o órgão, o desvio dessa finalidade evidencia não apenas a prática criminosa, mas também uma grave quebra de confiança nas instituições de segurança pública.

Indícios de execução

O Ministério Público sustenta que há indícios de emboscada, impossibilidade de defesa da vítima e atuação conjunta dos acusados, características típicas de execução. Segundo os autos, os policiais teriam aguardado estrategicamente a passagem da vítima, utilizando veículos e apoio logístico para consumar o crime.

Tentativa de apagar provas

Após o homicídio, os denunciados também teriam adotado medidas para dificultar as investigações. Entre as ações apontadas estão a suposta simulação do extravio da arma utilizada, pesquisas na internet sobre rastreamento de celulares e a formatação de aparelhos telefônicos.

Diante dessas condutas, o MPTO incluiu uma segunda acusação contra os policiais, por fraude processual, ao entender que houve tentativa de induzir a erro a perícia e comprometer a produção de provas.

O caso provocou indignação e aumentou a sensação de insegurança entre moradores da região, especialmente por envolver agentes públicos responsáveis, em tese, pela proteção da população. (Fonte: MPTO).

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